Um dos países Sul-Americanos menos comentados, fora das rotas mais conhecidas entre mochileiros que se aventuram pelo continente, e impensável para quem busca um turismo mais luxuoso é o Paraguai, mas por que? Parte por que temos mania de riqueza, nos esquecemos de nosso passado recente de pobreza, somos os novos "ricos" do mundo. A outra parte é por que julgamos injustamente o Paraguai a partir do caos e precariedade de Ciudad del Este, cidade que amamos odiar, por que realmente é caótica, desorganizada e suja, mas não nos importamos com isso quando o assunto é comprar, adoramos atravessar a fronteira em uma van que te deixa naquele ambiente hostil que nos bombardeia com bens materiais que tanto sonhamos em ter, é realmente tentador e esquecemos rapidinho da aparência da cidade fronteriça, não existe preconceito quando o assunto é pechinchar.
Vai e vem de sacolas pela Ponte da Amizade
Caos urbano em Ciudad del Este
Minha Abordagem sobre o Paraguai vai ser outra, existem muitos sites sobre compras em Ciudad del Este, mas não vou falar sobre isso, quero tentar mostrar o país por tras das sacolas. Na minha visão não existe lugar feio e pobre, todo depende do olhar que voce lança sobre as possibilidades que voce consegue perceber, e a riqueza que voce pode encontrar nem sempre é a financeira.
Estive no Paraguai em duas ocasiões, uma em 2008 quando fui de carro com minha esposa Priscila e meu irmão Alexandre, o "Bird", a segunda vez foi no fim de 2012 acompanhado do meu amigo Wilson, o "Junim", seu tio Luis e sua família. Em cada uma das vezes, como um bom viajante e aventureiro, tinha que conhecer o Paraguai de verdade, precisava então deixar Ciudad del Este e mergulhar nas cidades que escondiam a verdadeira beleza e carregam a essencia deste país subjulgado.
Eu Priscila e Bird em uma dessas vans que levam a Ciudad del Este
O primeiro objetivo em 2008 era conhecer a capital, acordamos bem cedo, e pegamos um taxi que nos deixou na rodoviaria em Ciudad del Este, durante o trajeto paramos na polícia turística paraguaia para os tramites legais de entrada no país. Para entrar apenas em Ciudad del Este não é preciso dar entrada no visto, mas ele pode ser pedido em outras cidades, é importante que voce o tenha junto a seus documentos pessoais. Como eu queria o carimbo no passaporte de lembrança levei o meu, mas a identidade brasileira é aceita.
Importante estar com os documentos ok.
Partimos então para a capital, Assunção, em um micro ônibus confortável, no caminho, é claro, várias paradas para a entrada de senhoras vendndo chipas, uma espécie de pão de queijo que é um verdadeiro vício local.
Em direção a capital
Em geral as rodoviárias não são o melhor lugar para se ter uma primeira impressão sobre uma cidade, é sempre um tumulto e não costuma ser um lugar agradável, pegamos logo o taxi e fomos ao centro histórico da cidade, que guarda belos prédios da época de riqueza do país que perdeu muito com as guerras da Tríplice Aliança e do Chaco.
Panteón Nacional de los Héroes
As ruas de Assunção lembram as das grandes cidades brasileiras, são surpreendentemente limpas e seguras, no centro se vê muita polícia e a sensação de segurança faz com que aos poucos os mitos sobre o Paraguai caiam um a um. Começamos pela rua Palma e encontramos um posto de informações turísticas com uma brasileira que trabalhava lá para informar viajantes daqui. De lá caminhamos um pouco a frente e conhecemos o Panteón Nacional de los Héroes, um dos pontos turísticos da capital.
Palácio de Los López, um dos lugares mais belos de Assunção
A próxima parada seria o Palácio de Los López, o palácio do governo. Um lugar de uma arquitetura muito bonita as márgens do rio Paraguai que banha a cidade. Na frente tem um belo jardim e uma enorme bandeira completam o conjunto do palácio.
Na frente do palácio presidencial.
Eu e Priscila nos jardins do palácio.
Ao lado esquerdo uma pequena favela parece conviver harmoniosamente com a imponência do monumento, não existem grades separando os limites dos dois, o contraste impressiona.
Bird e Priscila entre o luxo e a pobreza.
Continuamos caminhando pelas ruas de Assunção, passamos por diversas praças, pelo prédio do Banco Nacional, e curtimos a atmosfera da cidade durante a tarde seguindo em direção a rodoviária, já que tinhamos apenas o dia para conhecer o máximo de coisas, e foi o que fizemos.
Assunção
Uma visita com mais tempo é necessário, mas naquela ocasião o ganho maior foi desmistificar o Paraguai, despertar minha vontade de conhecer outros lugares neste país e passar a ter um olhar de admiração por nosso vizinho, que se mostrou muito melhor que bugigangas eletrônicas que é o que a maioria que não se da a oportunidade de conhece-lo acha que é.
Nos arredores da rodoviária.
Já era então hora de voltar para Foz do Iguaçu, compramos nossa passagem de volta, gastamos nossos últimos Guaranis e aguardamos a volta desta viagem que foi uma incógnita no começo com um sentimento de missão cumprida.
Terminal de Omnibus de Asuncion
Uma vez uma amiga minha que compartilha o gosto por viagens me disse "Viajar é descobrir com seus próprios olhos que tudo que falavam a respeito de um lugar está errado" este é um exemplo clássico de aplicação desta frase. Espero que tenham gostado do relato e que ajude a despertar o lado curioso em todos que leram, e a dica é não perder a oportunidade de conhecer novos lugares, sempre ha um lado positivo a ser explorado em cada canto deste mundo.
A continuação sobre minha segunda visita ao Paraguai continua no próximo post. Sugestões, dicas, perguntas, e criticas são bem vindas, e podem ser feitas aqui ou se preferir mais detalhes o meu email está sempre a disposição: iannislegall@gmail.com
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