terça-feira, 30 de julho de 2013

Estrada Real (Caminho dos Diamantes) de Bike, Uma daquelas aventuras para lembrar para sempre

Olá amigos, finalmente depois de uma postagem apenas para teste vou começar a falar de viagens. Vou começar escrevendo sobre a minha mais recente. No mês de Junho de 2013, eu e meu amigo Sérgio encaramos este desafio, planejado apenas um mês antes em uma conversa em um chat de um grupo de amigos ciclistas. Com esta idéia na cabeça e planilhas cuidadosamente preparadas pelo meu amigo Sérgio, partimos de carro com as bikes no porta malas em direção a Diamantina. Nosso percurso seria o Caminho dos Diamantes, aproximadamente 400km que pretendíamos superar em 6 dias em direção a Ouro Preto.

Já antes de chegar em Diamantina o primeiro imprevisto: O GPS até então impecável nos manda para um "atalho", uma estrada de terra de 70km e o carro na reserva, nenhum posto a vista, e o primeiro sinal de que as coisas dariam certo, chegamos no posto com menos de um litro de combustível no tanque.
 Igreja Matriz em Diamantina

 
 
Diamantina é uma cidade linda, já no dia que cheguei saí as ruas com um mapinha na mão para conhecer seus pontos turísticos, a maioria igrejas, todas lindas que rendeu várias fotos incríveis. A noite um barzinho no centro para relaxar antes de começar a pedalar.
 
Começamos na manhã seguinte, e que começo, tome subida atrás de subida, e assim seriam os dois primeiros dias. O início é bem puxado e o percurso que imaginavamos fazer em um dia tivemos que dividir. Tudo bem, tinhamos imaginado que isso poderia acontecer, a idéia da viagem era ser prazerosa, nunca foi vista como competição, não tinhamos compromisso com datas.

 

Primeiros dias: Cansaço e superação
 

 
Acordei cedo e fui fotografar a capelinha, ganhei a compania de um homem que me contou alguns "causos" do interior de Minas Gerais, fui conversando com ele enquanto via o sol nascer e contemplava a bela paisagem.
 
Milho Verde, um dos cartões postais da E.R.
 
Dois dias depois de muita subida começamos a nos preocupar mais, e olhavamos as planilhas e altimetria para nos planejarmos melhor. Dormimos uma noite em uma pousada muito simples em Itaponhoacanga e acordamos com uma neblina densa para encararmos mais uma subida forte, porém seria a única grande daquele dia.

 Uma daquelas paisagens pelo caminho que faz valer a pena
 
No caminho aquele dia encontramos com alguns fazendeiros que faziam uma cavalgada até nosso próximo destino, a cidade de Conceição do Mato Dentro. Eles nos convidaram a entrar um um rancho com um lago onde tomamos um banho e nos contaram sobre a grande festa religiosa que teria naquela cidade. Isso realmente não estava nos planos, como as cidades não são grandes poderiamos ter problemas em encontrar hospedagesm, o que se confirmou quilômetros a frente.
 
 Sombra de um entardecer
  
Ficamos perturbados com tanto barulho, carros com batidas de funk carioca passavam disputando potência, uma enorme feira e muita, mas muita gente lotavam os quartos de hotéis, ligamos para todos da cidade e conseguimos um quarto extra inflacionado, que nos custou mais que todos os outros da viagem juntos, e o dinheiro que tinhamos em mãos nos valeu apenas uma noite. Problemas a frente.
 

Conceição do Mato Dentro
 
Sem conseguir sacar dinheiro fomos a Morro do Pilar tentar a sorte. Se não conseguimos sacar dinheiro em Conceição do Mato dentro, as chanses em Morro do Pilar eram quase zero, e chegamos na cidade torcendo para encontrar uma máquina do Visa. Uma senhora dona de um hotel na cidade fez de tudo para resolver nosso problema, como o hotel dela não aceitava cartão, ligou para várias pesoas até que conseguiu que o dono de uma farmácia abrisse a loja dele para passar o cartão para nós, conseguimos uma boa noite de sono e tivemos que tomar uma decisão. Um desvio na rota e pegamos um ônibus que nos levaria a Itabira, uma cidade grande da região onde conseguiriamos um banco para sacar dinheiro e seguir viagem.
 
 Depois de resolvido o problema do dinheiro, tinhamos que voltar para a rota usando uma estrada bem movimentada, destino Cocais.
 

Floresta de Pinheiros rumo a Cocais
 
Em Cocais, uma agradável surpresa. A cidade é bem simpática e ficamos em uma pousada que deixo recomendações a quem estiver na região. A Pousada das Cores é um daqueles lugares agradáveis com um dono super simpático e uma comida maravilhosa, na sua maioria feita com ingredientes naturais aos cuidados do próprio dono que esbanja simpatia. Chega de banhos gelados e camas tortas, precisavamos de uma boa noite de sono. Deixo o site da pousada como propaganda http://www.pousadadascores.com.br/.
 
Acordamos, tomamos um café da manhã reforçado, seguimos para Barão dos Cocais, uma pausa para o almoço e pedaladas até Santa Barbara.
 
Em Barão dos Cocais chegamos atrasados para a festa junina
 
Passamos a noite em Santa Barbara, nos hospedamos em um bom hotel da cidade, a noite resolvemos sair para contemplar a lua cheia e matar nossa vontade de dias de comer uma pizza.
 

Capela em Santa Barbara
 
O caminho entre Santa Barbara e Catas Altas é realmente lindo, sempre acompanhado pelas imponentes montanhas da Serra do Caraça.

Um simpático Vira Latas acompanhou a gente em Catas Altas
 
Em Catas Altas lanchamos, nos despedimos do nosso companheiro vira latas e seguimos em um ritmo forte, passamos batido por Morro da Água Quente e Santa Rita Durão, já faltavam poucos quilômetros para Mariana.
 
 
Pedaço em Estrada, a placa de Mariana animava a subida.
 
Pausa para um descanso
 
Já em Camargos e a 14 quilômetros de Mariana estavamos na dúvida se seguiamos direto ou paravamos para dormir, já escurecia um pouco, então resolvemos ficar. A Cidade não tem pousada, ficamos então na casa de um senhor que costumava hospedar viajantes em sua casa, ficamos por lá enquanto assistíamos as notícias dos protestos que aconteciam naquela semana nas principais capitais do país.
 
Camargos, a uma hora de Mariana
 
Sabe aquela decisão de ficar em Camargos? Caiu muito bem, no meio do caminho para Mariana, eis que o pneu do Sergio Estoura, teriamos que troca-lo a noite com uma só lanterna, ufa!!!
  
 Único problema mecânico da viagem
 
Chegada em Mariana

Mariana é realmente uma cidade linda, que requer mais tempo para conhecer. Com uma grande infraestrutura turística, faz par com Ouro Preto em valor histórico, cultural e beleza, pretendo voltar com mais calma em breve.

Cartão postal de Mariana
 
Aproveitei a manhâ livre para conhecer a Mina da Passagem, lugar recomendado em todos os sites e revistas que falam sobre o turismo nesta região. É um lugar incrível de visitar. Uma descida de 315 metros em um carrinho de mineração leva você a uma escavação onde o ouro era abundante e hoje repousa um lago de águas cristalinas. Vale a pena a visita.
 
Mina da Passagem
 
Por medidas de segurança, já que a estrada entre Mariana e Ouro Preto é muito movimentada, e sem acostamento, resolvemos fazer estes últimos 10km de trem. A vista impressiona, são pouco mais de uma hora e meia com túneis e precipícios vertiginosos.


 Trem entre Mariana e Ouro Preto
 
Chegamos finalmente em Ouro Preto, cidade histórica que eu já conhecia de outra viagem e conto a vocês sobre ela em outra postagem. Lá comemoramos o sucesso desta viagem que ficará marcada para sempre como uma história de superação e humildade. 
 

Ouro Preto
 
 
 Eu e Sérgio, os aventureiros. Na foto a Serra do Caraça ao fundo
 
PARA QUEM QUISER MAIS INFORMAÇÕES E FOTOS SOBRE ESTA E OUTRAS VIAGENS MINHAS DEIXO MEU EMAIL: iannislegall@gmail.com TEREI PRAZER EM TROCAR IDÉIAS E EXPERIÊNCIAS COM VIAJANTES DE PLANTÃO.