sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Paraguai, a continuação: Um patrimônio mundial da UNESCO

Desde que fui a primeira vez ao Paraguai e me surpreendi positivamente, fui pesquisar o que mais esta país podia oferecer do ponto de vista turístico. Aproveitei a ida do meu amigo Junim a Foz do Iguaçú e fui me encontrar com ele lá, para aproveitar as belezas de Foz, fazer umas comprinhas em Ciudad del Este e finalmente visitar um lugar que pesquisei por mais de dois anos para conhecer: as missões Jesuítas Paraguaias, declaradas patrimônio histórico e cultural pela UNESCO e que poucos sabem da sua existência.
 
Durante algum tempo vinha lendo a respeito deste conjunto de missões que é uma das joias escondidas no Paraguai, e que eu aguardava ansioso a oportunidade de conhecer. Confesso que não é fácil achar muita informação de qualidade a respeito do turismo nesta região e o mal aproveitamento do lugar é de responsabilidade do próprio governo paraguaio, falta divulgação, informação, estrutura e transporte para o local, mas se trata de um lugar tombado pela UNESCO, e perfeito para quem gosta de uma aventura e conhecer lugares exóticos, como eu.
 
Fui então cumprir a minha missão, e o Junim preferiu ficar com seu tio Luis e família aproveitando as oportunidades financeiras que todo mundo conhece em Ciudad del Este, não insisti para que ele fosse comigo pois não sabia o tipo de aventura que eu enfrentaria, e não gosto de me responsabilizar em colocar meus amigos em enrascadas.
 
Parti para a rodoviária de Ciudad del Este as 6 horas da manhã a fim de encontrar um ônibus que fosse para Encaracion, queria ir e voltar no mesmo dia. As missões ficam na beira da estrada que vai para lá, informei ao motorista que parasse no ponto de Trinidad e fui encarar a viagem de pouco mais de 200km que o ônibus faz em 4 horas aproximadamente, o ônibus custou em torno de R$25,00 reais.
 
Tudo normal, a paisagem até lá é em sua maioria de lavouras e não tinha muito o que ver, descansei, o motorista parou, me indicou o caminho e segui pelas ruas bem tranquilas e quase desertas de Trinidad. Antes de chegar nas ruínas existe um ponto de atendimento turístico onde se compra o ingresso que vale para as quatro principais missões, lá é oferecido guia que recusei, pois prefiro andar sozinho e ficar a vontade.
Chegando em Trinidad
 
 
Já chegando nos portões da maior delas, La Santissima Trinidad del Paraná se vê que o lugar é lindo, bem conservado e super tranquilo, não se escuta quase nenhum barulho, a única vantagem do lugar ser inexplorado.
 

Paz e tranquilidade nas ruínas

Ângulos para boas fotos
 
Achei o lugar lindo, proporciona ótimos ângulos para boas fotos e uma história rica sobre a ocupação jesuíta no centro sul do continente, li muito sobre o local para poder dispensar o guia, que recomendo, mas pessoalmente preferi a tranquilidade que o lugar oferecia.
 
La Santissima Trinidad del Paraná

No centro chama atenção uma torre quase intacta depois de séculos de saques, abandono e depredação. As ruinas de Trinidad são de 1706 e abandonada poucos anos depois, teve seu reconhecimento apenas em 1993 quando declarada patrimônio da humanidade. Entre estes períodos o abandono foi quase completo.
 
Torre de observação

Uma das partes mais intacts das ruínas.
 
A torre pode ser visitada por dentro e é permitida a subida, o que proporciona uma visão maravilhosa de toda a area construída pelos jesuítas.
 

Ruinas pelo alto da torre.

Vista privilegiada

A Igreja principal conserva o piso original.
 
Fiquei por algumas horas por lá, encontrei um casal de mochileiros franceses que chegavam por lá na hora que eu já saia em direção a próxima missão a de Jesus de Tavangué. Na saída existe a opção de pegar um taxi ou moto taxi para vencer os mais de 10km que separam uma da outra. A chuva chegou assim que cheguei em Jesus de Tavangue, tive que aguardar um pouco na entrada apesar de oferecida uma capa de chuva na entrada.
 
Na entrada de Jesus de Tavangue aguardando a chuva passar
 
Vista externa da igreja.
 
Jesus de Tavangue é menor, mas não menos encantadora, é mais antiga que Santíssima Trinidad del Paraná, o ano de sua construção foi 1685.

Vista interna da Igreja.
 
O seu estado de conservação é até melhor, possui uma igreja com várias colunas e estrutura inteiramente preservados, apenas o teto não é mais visto.
 

Um das fotos obrigatórias em Jesus de Tavangue.

Vista do pátio.

Colunas externas.
 

História paraguaia
 
Jesus de Tavangue também é declarada patrimônio mundial pela Unesco, e é um exemplo mais preservado de como foi a ocupação jesuíta no Paraguai até seu completo abandono.

Ruinas preservadas.
 
 Já era fim de tarde e eu tinha me comprometido a voltar no mesmo dia, o que no fim das contas foi um erro de cálculo, ter passado a noite lá teria sido bem melhor, já que há uma iluminação especial em Santissima Trinidad, mas meu celular não tinha sinal, e não foi possível avisar a quem me esperava em Foz que eu ficaria por lá. Aguardei por uma hora o ônibus que me levaria de volta a Ciudad del Este, e já anoitecendo me vi sozinho na parada e preocupado peguei um ônibua até a próxima cidade, um pouco maior onde aguardei o transporte com pelo menos uma dezena de pessoas, me senti mais tranquilo do que em uma parada escura sozinho na beira da estrada. Pretendo voltar as ruinas quando eu for denovo a Ciudad del Este, porém passarei a noite na próxima vez.


 
Assim foi então minha visita as ruínas tão pouco conhecidas. Injustiçadas pela falta de conhecimento sobre sua existência, é um destino perfeito para quem ainda foge de grandes filas nos centros turísticos, mas possui um valor inestimável do ponto de vista histórico e é excelênte para quem gosta de fugir do óbvio.
 
Deixo meu email como sempre para quem quiser maiores informaçãoes sobre esta e outras viagens minhas:
 
 
 

sábado, 3 de agosto de 2013

Diga xô ao preconceito e conheça as belezas do Paraguai

Um dos países Sul-Americanos menos comentados, fora das rotas mais conhecidas entre mochileiros que se aventuram pelo continente, e impensável para quem busca um turismo mais luxuoso é o Paraguai, mas por que? Parte por que temos mania de riqueza, nos esquecemos de nosso passado recente de pobreza, somos os novos "ricos" do mundo. A outra parte é por que julgamos injustamente o Paraguai a partir do caos e precariedade de Ciudad del Este, cidade que amamos odiar, por que realmente é caótica, desorganizada e suja, mas não nos importamos com isso quando o assunto é comprar, adoramos atravessar a fronteira em uma van que te deixa naquele ambiente hostil que nos bombardeia com bens materiais que tanto sonhamos em ter, é realmente tentador e esquecemos rapidinho da aparência da cidade fronteriça, não existe preconceito quando o assunto é pechinchar.
 
 Vai e vem de sacolas pela Ponte da Amizade
 
Caos urbano em Ciudad del Este
 
Minha Abordagem sobre o Paraguai vai ser outra, existem muitos sites sobre compras em Ciudad del Este, mas não vou falar sobre isso, quero tentar mostrar o país por tras das sacolas. Na minha visão não existe lugar feio e pobre, todo depende do olhar que voce lança sobre as possibilidades que voce consegue perceber, e a riqueza que voce pode encontrar nem sempre é a financeira.
 
Estive no Paraguai em duas ocasiões, uma em 2008 quando fui de carro com minha esposa Priscila e meu irmão Alexandre, o "Bird", a segunda vez foi no fim de 2012 acompanhado do meu amigo Wilson, o "Junim", seu tio Luis e sua família. Em cada uma das vezes, como um bom viajante e aventureiro, tinha que conhecer o Paraguai de verdade, precisava então deixar Ciudad del Este e mergulhar nas cidades que escondiam a verdadeira beleza e carregam a essencia deste país subjulgado.
 
Eu Priscila e Bird em uma dessas vans que levam a Ciudad del Este
 
O primeiro objetivo em 2008 era conhecer a capital, acordamos bem cedo, e pegamos um taxi que nos deixou na rodoviaria em Ciudad del Este, durante o trajeto paramos na polícia turística paraguaia para os tramites legais de entrada no país. Para entrar apenas em Ciudad del Este não é preciso dar entrada no visto, mas ele pode ser pedido em outras cidades, é importante que voce o tenha junto a seus documentos pessoais. Como eu queria o carimbo no passaporte de lembrança levei o meu, mas a identidade brasileira é aceita.

Importante estar com os documentos ok.
 
Partimos então para a capital, Assunção, em um micro ônibus confortável, no caminho, é claro, várias paradas para a entrada de senhoras vendndo chipas, uma espécie de pão de queijo que é um verdadeiro vício local.

Em direção a capital
 
Em geral as rodoviárias não são o melhor lugar para se ter uma primeira impressão sobre uma cidade, é sempre um tumulto e não costuma ser um lugar agradável, pegamos logo o taxi e fomos ao centro histórico da cidade, que guarda belos prédios da época de riqueza do país que perdeu muito com as guerras da Tríplice Aliança e do Chaco.
 

Panteón Nacional de los Héroes
 
As ruas de Assunção lembram as das grandes cidades brasileiras, são surpreendentemente limpas e seguras, no centro se vê muita polícia e a sensação de segurança faz com que aos poucos os mitos sobre o Paraguai caiam um a um. Começamos pela rua Palma e encontramos um posto de informações turísticas com uma brasileira que trabalhava lá para informar viajantes daqui. De lá caminhamos um pouco a frente e conhecemos o Panteón Nacional de los Héroes, um dos pontos turísticos da capital.

Palácio de Los López, um dos lugares mais belos de Assunção
 
A próxima parada seria o Palácio de Los López, o palácio do governo. Um lugar de uma arquitetura muito bonita as márgens do rio Paraguai que banha a cidade. Na frente tem um belo jardim e uma enorme bandeira completam o conjunto do palácio.
 
Na frente do palácio presidencial.
 
Eu e Priscila nos jardins do palácio.
 
Ao lado esquerdo uma pequena favela parece conviver harmoniosamente com a imponência do monumento, não existem grades separando os limites dos dois, o contraste impressiona.

Bird e Priscila entre o luxo e a pobreza.
 
Continuamos caminhando pelas ruas de Assunção, passamos por diversas praças, pelo prédio do Banco Nacional, e curtimos a atmosfera da cidade durante a tarde seguindo em direção a rodoviária, já que tinhamos apenas o dia para conhecer o máximo de coisas, e foi o que fizemos.

Assunção
 
Uma visita com mais tempo é necessário, mas naquela ocasião o ganho maior foi desmistificar o Paraguai, despertar minha vontade de conhecer outros lugares neste país e passar a ter um olhar de admiração por nosso vizinho, que se mostrou muito melhor que bugigangas eletrônicas que é o que a maioria que não se da a oportunidade de conhece-lo acha que é.

Nos arredores da rodoviária.
 
Já era então hora de voltar para Foz do Iguaçu, compramos nossa passagem de volta, gastamos nossos últimos Guaranis e aguardamos a volta desta viagem que foi uma incógnita no começo com um sentimento de missão cumprida.
 

Terminal de Omnibus de Asuncion
 
Uma vez uma amiga minha que compartilha o gosto por viagens me disse "Viajar é descobrir com seus próprios olhos que tudo que falavam a respeito de um lugar está errado" este é um exemplo clássico de aplicação desta frase. Espero que tenham gostado do relato e que ajude a despertar o lado curioso em todos que leram, e a dica é não perder a oportunidade de conhecer novos lugares, sempre ha um lado positivo a ser explorado em cada canto deste mundo.
 
A continuação sobre minha segunda visita ao Paraguai continua no próximo post. Sugestões, dicas, perguntas, e criticas são bem vindas, e podem ser feitas aqui ou se preferir mais detalhes o meu email está sempre a disposição: iannislegall@gmail.com